Na Itália, as leis são feitas por duas casas com poderes idênticos, a Câmara, com 400 deputados, e o Senado, com 200 senadores eleitos, que precisam aprovar o mesmo texto palavra por palavra. O eleitor pode revogar leis por referendo, e já o fez dezenas de vezes, mas desde 2011 nenhuma consulta desse tipo atingiu o comparecimento mínimo de 50%.

Ficha rápida

CampoItália
Forma de governo e de EstadoRepública parlamentarista, Estado unitário com regiões (Constituição de 1948)
LegislativoParlamento bicameral perfeito: Câmara dos Deputados (400) e Senado da República (200 eleitos, mais senadores vitalícios), arts. 56 e 57
Como os parlamentares são eleitosSistema misto desde 2017, com cerca de 37% das cadeiras em distritos uninominais e 61% por lista proporcional. Mandato de 5 anos (art. 60). Nova lei proporcional com prêmio de maioria aprovada em outubro de 2026, ainda sem eleição sob ela
Quem propõe as leisGoverno, parlamentares, conselhos regionais e 50 mil eleitores (art. 71)
Palavra final (veto, sanção, revisão judicial)O presidente pode devolver a lei uma vez, com mensagem fundamentada; se aprovada de novo, promulga (art. 74). Corte Constitucional anula leis (art. 134)
Democracia diretaReferendo ab-rogativo com 500 mil assinaturas e quórum de 50% (art. 75): 77 quesitos desde 1974, 38 sem quórum. Referendo constitucional sem quórum (art. 138): 5 desde 2001
Voto obrigatórioNão; "dever cívico" sem sanção (art. 48)
Reeleição do chefe de governoPresidente do Conselho sem limite. Presidente da República: 7 anos, reelegível (art. 85)
Parlamentares por milhão de habitantes10,2 (600 eleitos para 58,9 milhões em 2025, Banco Mundial)

Como uma lei é aprovada

O caminho segue os artigos 70 a 74 da Constituição italiana:

  1. O governo, um parlamentar, um conselho regional ou 50 mil eleitores apresentam o projeto em qualquer das casas.
  2. A casa de origem aprova, em comissão ou em plenário.
  3. A outra casa examina. Se mudar uma vírgula, o texto volta à primeira, e esse vaivém, a navetta, se repete até que as duas aprovem a mesma redação.
  4. O presidente da República promulga ou devolve a lei às casas, uma vez, pedindo nova deliberação. Se elas aprovarem de novo, ele é obrigado a promulgar.
  5. A Corte Constitucional pode depois anular a lei, e o eleitor pode revogá-la por referendo.

O governo também precisa da confiança das duas casas (art. 94), e por isso Câmara e Senado pesam exatamente o mesmo. A discussão sobre o valor de uma segunda casa está em extinção do Senado.

Participação direta do eleitor

O referendo ab-rogativo foi usado pela primeira vez em 1974, sobre a lei do divórcio. Desde então foram 77 quesitos, e em 38 deles o comparecimento ficou abaixo de 50%, o que anula a consulta (levantamento da Wikipédia em italiano). O último válido foi o de junho de 2011, com 54,82% de comparecimento. Os de 2016, 2022 e 2025 falharam. Em junho de 2025, os cinco quesitos sobre trabalho e cidadania tiveram cerca de 30% de comparecimento.

O referendo constitucional não tem quórum, e o eleitor o usa com resultados variados:

  • 2016: rejeitou a reforma do governo Renzi, que reduzia o tamanho e o papel do Senado, com 59,12% de "não".
  • 2020: aprovou o corte de 945 para 600 parlamentares eleitos, com 69,96% de "sim".
  • 22 e 23 de março de 2026: rejeitou a separação das carreiras de juízes e promotores, com 53,24% de "não" (LentePubblica).

O quórum de 50% virou uma arma: para derrotar um referendo ab-rogativo, basta pedir aos eleitores que fiquem em casa, já que a abstenção conta a favor de manter a lei.

Comparado ao Brasil

PontoItáliaBrasil
Legislativo2 casas iguais, 600 eleitos2 casas, 594 parlamentares
Parlamentares por milhão10,22,8
Quem convoca referendo500 mil eleitores ou 5 regiõesSó o Congresso (art. 49, XV)
Referendo nacional77 ab-rogativos e 5 constitucionais2 desde 1988 (1993 e 2005)
Veto do presidenteSó devolve uma vezVeta; Congresso derruba por maioria absoluta
Voto obrigatórioNãoSim, dos 18 aos 70 anos

O contraste entre convocação pelo eleitor e pelo Congresso é o tema de democracia semidireta.

No modelo do Delegado Eleitoral

O bicameralismo simétrico italiano é o oposto da casa única do item 7.1 do plano. E o quórum de 50% mostra o risco de condicionar o voto popular ao comparecimento: o plano não fixa quórum de comparecimento, e o piso que prevê é de tamanho do grupo habilitado, 0,5% da população (item 4.2). Veja a proposta em Delegado Eleitoral.