Na Suíça, as leis são feitas por um Parlamento de 246 membros, mas a última palavra pode ser do eleitor: 50 mil assinaturas levam qualquer lei federal a voto popular, e toda mudança na Constituição passa pelas urnas. O país vota várias propostas de uma vez, em datas fixas ao longo do ano, e soma mais de 700 objetos votados desde 1848.

Ficha rápida

CampoSuíça
Forma de governo e de EstadoConfederação federal de 26 cantões, com governo colegiado de 7 membros, o Conselho Federal (Constituição de 1999, arts. 1 e 175)
LegislativoAssembleia Federal bicameral, com poderes iguais (art. 148): Conselho Nacional (200) e Conselho dos Estados (46)
Como os parlamentares são eleitosConselho Nacional por representação proporcional, cada cantão um círculo (art. 149). Conselho dos Estados por regra de cada cantão, majoritária em 24 deles (art. 150). Mandato de 4 anos
Quem propõe as leisParlamentares, grupos e comissões, os cantões (art. 160) e o Conselho Federal
Palavra final (veto, sanção, revisão judicial)Não há veto do Executivo. O Tribunal Federal não pode deixar de aplicar lei federal por inconstitucionalidade (art. 190). A última palavra é do eleitor, por referendo
Democracia diretaReferendo obrigatório (art. 140), referendo facultativo com 50 mil assinaturas em 100 dias (art. 141) e iniciativa popular com 100 mil em 18 meses (art. 139). Mais de 700 objetos votados desde 1848
Voto obrigatórioNão no plano federal; só no cantão de Schaffhausen, com multa de 6 francos
Reeleição do chefe de governoConselheiros federais reeleitos pelo Parlamento sem limite; presidente da Confederação por um ano, sem reeleição imediata (art. 176)
Parlamentares por milhão de habitantes27,1 (246 para 9,1 milhões em 2025, Banco Mundial)

Como uma lei é aprovada

O caminho segue a Constituição federal:

  1. O Conselho Federal, um parlamentar, uma comissão ou um cantão propõe a lei. Antes de chegar ao Parlamento, o projeto do governo passa por consulta a cantões, partidos e associações (art. 147).
  2. Uma das duas câmaras examina primeiro, a outra depois. Como as duas têm o mesmo peso, o texto vai e volta até que concordem.
  3. Aprovada nas duas, a lei é publicada. Não há sanção nem veto do governo.
  4. Abre-se o prazo de 100 dias. Se 50 mil eleitores ou oito cantões pedirem, a lei vai a voto popular e só entra em vigor se aprovada.
  5. Se for emenda constitucional, o voto popular é obrigatório e exige dupla maioria: do eleitorado e dos cantões.

Como o Tribunal Federal não pode anular uma lei federal por inconstitucionalidade (art. 190), quem tem a palavra final é o eleitor, e não a corte. É o desenho oposto ao brasileiro, discutido em judicialização da política.

Participação direta do eleitor

A Chancelaria Federal registra 332 datas de votação federal desde 1848 (admin.ch), e a base Swissvotes lista mais de 700 objetos (Swissvotes). As votações caem em domingos de março, junho, setembro e novembro, cada uma com várias propostas.

A maioria das iniciativas populares é rejeitada. Até janeiro de 2022, só 24 delas tinham obtido a dupla maioria desde 1891. Exemplos recentes:

  • 3 de março de 2024: aprovada a iniciativa da 13ª parcela da aposentadoria, com 58,2% e 15 dos 23 votos de cantões (Swissinfo). No mesmo dia, foi rejeitada a que elevava a idade de aposentadoria.
  • 28 de setembro de 2025: aprovada a lei da identidade eletrônica, com 50,4%.
  • 30 de novembro de 2025: rejeitado por 78,3% o imposto de 50% sobre heranças acima de 50 milhões de francos.
  • 14 de junho de 2026: rejeitada a iniciativa que limitava a população a 10 milhões.

Na votação de setembro de 2025, o comparecimento foi de 49,5% do eleitorado.

Comparado ao Brasil

PontoSuíçaBrasil
Legislativo2 casas iguais, 246 parlamentares2 casas, 594 parlamentares
Parlamentares por milhão27,12,8
Quem convoca referendo50 mil eleitores ou 8 cantõesSó o Congresso (art. 49, XV)
Votações popularesMais de 700 desde 18482 desde 1988 (1993 e 2005)
Corte pode anular lei federalNãoSim, o STF
Voto obrigatórioNão (só em Schaffhausen)Sim, dos 18 aos 70 anos

No modelo do Delegado Eleitoral

A Suíça é o paralelo mais próximo do item 5.4 do plano, a votação de várias propostas em blocos, e do item 7.4, em que nenhuma corte revê o resultado do voto popular. A diferença central está no item 7.8: na Suíça vota todo cidadão adulto, e no plano votam só os delegados aprovados em prova. Veja democracia direta, democracia semidireta e a página do Delegado Eleitoral.