Na Austrália, as leis federais são aprovadas pela Câmara dos Representantes, com 150 deputados, e pelo Senado, com 76 senadores, e depois assinadas pelo governador-geral em nome da Coroa. O traço mais conhecido é o voto obrigatório desde 1924, com multa para quem falta. Mudar a Constituição exige referendo, e o eleitor quase sempre diz não.

Ficha rápida

CampoAustrália
Forma de governo e de EstadoMonarquia constitucional parlamentarista; federação de 6 estados e 2 territórios
LegislativoBicameral: Câmara dos Representantes (150) e Senado (76)
Como os parlamentares são eleitosCâmara: voto preferencial em distritos de uma cadeira, mandato de até 3 anos. Senado: voto único transferível proporcional por estado, 6 anos com renovação de metade
Quem propõe as leisMinistros e qualquer parlamentar; a maior parte vem do governo
Palavra final (veto, sanção, revisão judicial)As duas casas aprovam texto idêntico e o governador-geral dá o assentimento (seção 58); a Alta Corte julga se a lei cabe nas competências federais
Democracia diretaReferendo obrigatório para emendar a Constituição (seção 128): 45 propostas desde 1906, 8 aprovadas
Voto obrigatórioSim, desde 1924, com multa
Reeleição do chefe de governoPrimeiro-ministro sem limite de mandatos
Parlamentares por milhão de habitantes8,2 (226 para 27,6 milhões, Banco Mundial, 2025)

As regras estão na Constituição de 1900. Na eleição de 2025, o Partido Trabalhista ficou com 94 das 150 cadeiras da Câmara, contra 43 da Coalizão liberal-nacional (Comissão Eleitoral Australiana).

Como uma lei é aprovada

  1. Proposta. Um ministro ou um parlamentar apresenta o projeto, em geral na Câmara (Parlamento da Austrália, infosheet 7).
  2. Primeira casa. Leituras, debate, comissões e votação. O governo, que tem maioria na Câmara, costuma aprovar seus projetos ali.
  3. Segunda casa. O Senado pode aprovar, emendar ou rejeitar. Como ele é eleito por voto proporcional, o governo raramente tem maioria e precisa negociar com partidos menores e independentes.
  4. Impasse. Se o Senado rejeita duas vezes o mesmo projeto, o governo pode dissolver as duas casas e convocar eleição geral (seção 57). Se o impasse continua, uma sessão conjunta decide; isso só aconteceu uma vez, em 1974.
  5. Assentimento. O governador-geral assina o texto aprovado pelas duas casas, e só então ele vira lei.

Participação direta do eleitor

A Austrália não tem iniciativa popular nem referendo sobre lei comum. O referendo existe para a Constituição, e a barreira é dupla: maioria dos votos no país e maioria em pelo menos quatro dos seis estados. Desde 1906 foram 45 propostas em 20 datas, e só 8 passaram, a última em 1977 (Comissão Eleitoral Australiana).

O mais recente, em 14 de outubro de 2023, propunha criar a Voz, um órgão consultivo dos povos indígenas junto ao Parlamento. O sim teve 39,94%, e todos os seis estados votaram não.

O voto é obrigatório desde a lei eleitoral de 1924. Em 2025, o comparecimento foi de 90,7% para a Câmara, contra 89,8% em 2022. Quem falta sem justificativa paga multa administrativa de 20 dólares australianos (AEC). O debate sobre esse desenho, com os argumentos dos dois lados, está em voto obrigatório.

Comparado ao Brasil

ItemAustráliaBrasil
Casas2 (Câmara e Senado, ambos eleitos)2 (Câmara e Senado, ambos eleitos)
Parlamentares federais226594
Por milhão de habitantes8,22,8
Sistema da câmara baixaDistrital com voto preferencialProporcional de lista aberta
Voto obrigatórioSim, multa de 20 dólares australianosSim, dos 18 aos 70 anos, multa e restrições
Consulta popular nacionalObrigatória para emendar a ConstituiçãoSó por decisão do Congresso; duas desde 1988

No voto preferencial, o eleitor numera os candidatos por ordem de preferência; se ninguém tem maioria, os votos dos últimos colocados são redistribuídos até alguém passar de 50%. É uma forma de voto distrital que evita a vitória com minoria.

No modelo do Delegado Eleitoral

A Austrália pune a ausência com multa; o plano não pune a falta em um bloco de votação e só tira o título de quem deixa de votar em três blocos seguidos (item 5.5). O referendo constitucional australiano dá ao eleitor a última palavra sobre a Constituição, e o plano estende essa última palavra às leis comuns, sem revisão possível (item 7.4 do Delegado Eleitoral).