No México, as leis são feitas pelo Congresso da União, com 500 deputados e 128 senadores, e passam pela sanção do presidente, que governa por um mandato único de seis anos. A Constituição criou em 2012 a consulta popular e em 2019 a revocação de mandato. As duas foram usadas uma vez cada, e nenhuma atingiu os 40% de comparecimento que a tornariam obrigatória.

Ficha rápida

CampoMéxico
Forma de governo e de EstadoRepública presidencialista; Estado federal, com 32 entidades (art. 40)
LegislativoBicameral: Câmara dos Deputados (500) e Senado (128), 628 cadeiras
Como os parlamentares são eleitosSistema misto. Deputados: 300 por maioria simples em distritos e 200 por lista em 5 circunscrições, mandato de 3 anos. Senadores: mandato de 6 anos. Reeleição consecutiva com limites (art. 59)
Quem propõe as leisO presidente, deputados e senadores, as legislaturas estaduais e cidadãos com 0,13% da lista nominal (art. 71)
Palavra final (veto, sanção, revisão judicial)Veto do presidente em 30 dias; derrubada por 2/3 em cada casa (art. 72). Suprema Corte de Justiça da Nação julga ações de inconstitucionalidade (art. 105)
Democracia diretaConsulta popular e revocação de mandato, vinculantes com 40% de comparecimento (art. 35); uma de cada realizada (2021 e 2022)
Voto obrigatórioNão na prática: obrigação no texto (art. 36), sem sanção
Reeleição do chefe de governoProibida para sempre; mandato único de 6 anos (art. 83)
Parlamentares por milhão de habitantes4,8 (628 para 131,9 milhões, Banco Mundial, 2025)

Como uma lei é aprovada

O caminho está nos artigos 71 e 72 da Constituição de 1917:

  1. O projeto é apresentado numa das casas por um dos legitimados do artigo 71.
  2. A casa de origem discute e aprova.
  3. A casa revisora aprova, rejeita ou modifica; as divergências voltam à origem (art. 72).
  4. Aprovado nas duas, o projeto vai ao presidente, que tem 30 dias para devolvê-lo com objeções. Sem resposta, conta como aprovado.
  5. Se houver veto, as duas casas podem confirmar o texto por dois terços.
  6. O Executivo promulga e publica a lei no Diário Oficial.

O Judiciário mudou de formato com a reforma de 2024. Os ministros da Suprema Corte, reduzida de 11 para 9, passaram a ser eleitos por voto popular, e a primeira eleição judicial, em 1º de junho de 2025, teve comparecimento de cerca de 13% (registro da eleição judicial). Os defensores dizem que a mudança aproxima os juízes do eleitor; os críticos, que expõe a corte que julga as leis à disputa partidária, tema de separação dos poderes.

Participação direta do eleitor

A consulta popular (art. 35) pode ser pedida pelo presidente, por um terço de qualquer das casas ou por 2% da lista nominal de eleitores. O resultado só obriga os Poderes se votarem pelo menos 40% dos inscritos. A revocação de mandato do presidente segue a mesma regra de 40%.

  • 1º de agosto de 2021, consulta sobre ex-presidentes. A pergunta, sobre investigar decisões de governos anteriores, teve 97,72% de sim, mas só 7,11% de comparecimento. Não obrigou ninguém (resultados do INE).
  • 10 de abril de 2022, revocação de mandato. Convocada a pedido de apoiadores do presidente Andrés Manuel López Obrador, teve 93,45% dos votos válidos pela permanência e 6,55% pela saída, com 17,78% de comparecimento, abaixo do mínimo (resultados do INE).

Os dois casos mostram o efeito do quórum de comparecimento: quem discorda pode simplesmente não ir, e a consulta perde validade. A comparação com o Brasil está em democracia semidireta.

O artigo 36 lista o voto entre as obrigações do cidadão, mas a base do International IDEA registra que não há sanção formal.

Comparado ao Brasil

ItemMéxicoBrasil
Casas e cadeiras federais2 casas, 6282 casas, 594
Parlamentares por milhão4,82,8
Eleição de deputadosMista: 300 distritais e 200 por listaProporcional de lista aberta
Iniciativa popular0,13% da lista nominal1% do eleitorado em 5 estados
Voto obrigatórioNo texto, sem sançãoSim, com multa
Reeleição presidencialProibida, mandato de 6 anosUma consecutiva, mandato de 4 anos

O México é o exemplo mais citado de mandato presidencial único e longo, ideia discutida em fim da reeleição. O sistema misto para deputados é uma das variantes tratadas em voto distrital.

No modelo do Delegado Eleitoral

O sexênio mexicano é o paralelo mais próximo do item 7.6 do plano, que propõe mandato de 8 anos sem reeleição, mas para todos os cargos eletivos, não só o de presidente. As consultas de 2021 e 2022 tocam num ponto que o plano não detalha: ele não fixa quórum de comparecimento. O piso de 0,5% da população (item 4.2) trata do tamanho do grupo habilitado, não de quantos votam; contra a abstenção, a regra é perder o título após 3 blocos seguidos sem votar (item 5.5). Veja Delegado Eleitoral.