No Peru, as leis passam a ser feitas em 2026 por um Congresso de duas casas, com 130 deputados e 60 senadores, depois de 34 anos sem Senado. O traço mais marcante do sistema é o poder do Congresso sobre o presidente: com a figura da incapacidade moral permanente, os parlamentares destituíram dois presidentes desde 2022.

Ficha rápida

CampoPeru
Forma de governo e de EstadoRepública presidencialista, Estado unitário e descentralizado (Constituição de 1993, art. 43)
LegislativoCongresso bicameral desde julho de 2026: Câmara de Deputados (130) e Senado (60), pela Lei 31.988 de 2024
Como os parlamentares são eleitosListas proporcionais. Senado: 30 em distrito nacional e 30 em distritos regionais; deputados em distritos múltiplos. Barreira de 5% dos votos válidos. Mandato de cinco anos
Quem propõe as leisPresidente, deputados e cidadãos (0,3% do eleitorado). Pela reforma de 2024, o Senado revisa o que a Câmara aprova
Palavra final (veto, sanção, revisão judicial)O presidente pode fazer observações em 15 dias; o Congresso as supera com mais da metade do número legal de membros (art. 108). Tribunal Constitucional de 7 membros julga a constitucionalidade (arts. 201 a 203)
Democracia diretaReferendo (art. 32), iniciativa legislativa e revogação de autoridades locais. Três referendos nacionais: 1993, 2010 e 2018
Voto obrigatórioSim, dos 18 aos 70 anos, com multa
Reeleição do chefe de governoVedada a reeleição imediata; o ex-presidente pode voltar após um mandato de intervalo (art. 112)
Parlamentares por milhão de habitantes5,5 (190 para 34,6 milhões em 2025, Banco Mundial)

Como uma lei é aprovada

Com a volta do bicameralismo, o caminho ficou assim (El Peruano):

  1. O presidente, um deputado ou um grupo de cidadãos apresenta o projeto na Câmara de Deputados.
  2. A Câmara discute em comissão e aprova em plenário.
  3. O Senado revisa o texto aprovado pelos deputados.
  4. O presidente tem 15 dias para promulgar ou fazer observações. Se não fizer nada, o presidente do Congresso promulga.
  5. Se houver observação, o Congresso pode insistir no texto com o voto de mais da metade do número legal de membros.

Reformas da Constituição exigem maioria absoluta e referendo, ou aprovação por mais de dois terços em duas legislaturas seguidas (art. 206 da Constituição). A volta do Senado foi aprovada pelo próprio Congresso, sem referendo.

Participação direta do eleitor

O Peru teve três referendos nacionais. Em 1993, o eleitor aprovou a Constituição atual. Em 2010, aprovou a devolução dos aportes do antigo fundo de moradia Fonavi. Em 9 de dezembro de 2018, votou quatro perguntas: aprovou a reforma do órgão que nomeia juízes, regras de financiamento de partidos e a proibição de reeleição de parlamentares, e rejeitou o bicameralismo por larga margem (LP Derecho).

O resultado de 2018 foi revertido pelo próprio Congresso seis anos depois. A reforma de 2024 recriou o Senado e devolveu a reeleição aos parlamentares, dois pontos que o eleitor havia rejeitado nas urnas. É um exemplo de consulta sem força de blindagem: o que o povo decide pode ser desfeito pelos representantes.

O peso do Congresso sobre o Executivo é o outro lado. Pedro Castillo tentou dissolver o Congresso em dezembro de 2022 e foi destituído no mesmo dia por 101 votos (NBC). Dina Boluarte caiu em outubro de 2025 por 122 votos, e seu sucessor, José Jerí, foi censurado em fevereiro de 2026, quando José María Balcázar assumiu como quarto presidente desde 2021 (Bloomberg Línea). Keiko Fujimori venceu o segundo turno de junho de 2026.

Comparado ao Brasil

PontoPeruBrasil
Legislativo2 casas desde 2026, 190 parlamentares2 casas, 594 parlamentares
Parlamentares por milhão5,52,8
Remoção do presidenteVaga por incapacidade moral, votada no CongressoImpeachment por crime de responsabilidade
Reeleição do presidenteSó após um mandato de intervaloUma reeleição seguida
Voto obrigatórioSim, até 70 anosSim, dos 18 aos 70 anos
Referendo nacional3 (1993, 2010, 2018)2 desde 1988 (1993 e 2005)

O debate peruano sobre o Senado é o inverso do que trata a página extinção do Senado: lá, a segunda casa foi recriada para servir de freio a uma câmara única vista como instável.

No modelo do Delegado Eleitoral

O Peru vai na direção contrária ao item 7.1 do plano, que extingue o Senado. E o caso de 2018 mostra por que o item 7.4 proíbe os parlamentares de rever o resultado de uma votação popular. No item 7.5, a destituição do presidente sai do Congresso e vai ao voto dos delegados, ponto detalhado em impeachment e na página do Delegado Eleitoral.