No Reino Unido, as leis são feitas pela Câmara dos Comuns, com 650 deputados eleitos em distritos, e revisadas pela Câmara dos Lordes, cujos membros são nomeados e não têm número fixo. Os Lordes podem atrasar uma lei, não barrá-la. Não há Constituição escrita num texto único, e nenhum tribunal anula lei do Parlamento.

Ficha rápida

CampoReino Unido
Forma de governo e de EstadoMonarquia constitucional parlamentarista, Estado unitário com poderes devolvidos a Escócia, País de Gales e Irlanda do Norte
LegislativoBicameral: Câmara dos Comuns (650) e Câmara dos Lordes (797 membros aptos em 16/10/2026, sem número fixo)
Como os parlamentares são eleitosComuns: maioria simples em distritos de um representante, mandato máximo de 5 anos. Lordes: não são eleitos; nomeados pelo monarca por indicação do primeiro-ministro, vitalícios, mais 26 cadeiras de bispos
Quem propõe as leisGoverno e parlamentares de qualquer das duas casas
Palavra final (veto, sanção, revisão judicial)Comuns, que superam os Lordes pelos Parliament Acts de 1911 e 1949; sanção real formal; tribunais não anulam lei do Parlamento
Democracia diretaReferendos convocados por lei específica e não vinculantes: três nacionais (1975, 2011, 2016) e vários regionais
Voto obrigatórioNão
Reeleição do chefe de governoPrimeiro-ministro sem limite de mandatos, enquanto tiver a confiança dos Comuns
Parlamentares por milhão de habitantes20,8 (1.447 para 69,5 milhões, Banco Mundial, 2025)

A soma de 1.447 usa os 797 membros dos Lordes aptos a participar na data da consulta, segundo a contagem oficial do Parlamento (State of the Parties, 16/10/2026). O número muda a cada nomeação, morte ou aposentadoria. Em 2026, uma lei encerrou as cadeiras que eram reservadas a pares hereditários (Biblioteca da Câmara dos Lordes).

Como uma lei é aprovada

  1. Proposta. Em geral do governo, que tem a maioria dos Comuns. Parlamentares também apresentam projetos próprios.
  2. Primeira casa. O projeto passa por leituras, exame em comissão e votação final.
  3. Segunda casa. A outra casa repete o processo e pode emendar. As emendas vão e voltam até haver acordo.
  4. Impasse. Se os Lordes rejeitarem um projeto aprovado pelos Comuns em duas sessões seguidas, com pelo menos um ano entre as votações, ele vira lei sem o consentimento deles. Leis de orçamento passam se os Lordes não as aprovarem em um mês (Parliament Acts de 1911 e 1949).
  5. Sanção real. O monarca sanciona, por formalidade, o que o Parlamento aprovou.

Como o governo sai da maioria dos Comuns, a separação entre Executivo e Legislativo é menor do que no Brasil. O desenho brasileiro está em separação dos poderes.

Participação direta do eleitor

Não existe regra geral de referendo: cada um é convocado por lei própria, e o resultado não obriga o Parlamento. As regras de campanha e de gastos estão no Political Parties, Elections and Referendums Act 2000. Os três nacionais foram (resultados):

  • 1975: permanência na Comunidade Europeia, aprovada com 67,23%.
  • 2011: troca do voto distrital simples pelo voto alternativo, rejeitada com 67,90%, com comparecimento de 42,20%.
  • 2016: saída da União Europeia, aprovada com 51,89%, comparecimento de 72,21%.

Os regionais tiveram peso parecido. Em 1997, escoceses e galeses aprovaram parlamentos próprios; em Gales, por 50,30%. Em 2014, 55,3% dos escoceses votaram contra a independência, com comparecimento de 84,59%. O Brexit mostra o alcance e o limite do modelo: juridicamente consultivo, politicamente impossível de ignorar.

Comparado ao Brasil

ItemReino UnidoBrasil
Câmara altaNomeada, vitalícia, só atrasa leisSenado eleito, com poder igual ao da Câmara
Parlamentares nacionais1.447 (797 nos Lordes em 2026)594
Por milhão de habitantes20,82,8
Eleição dos deputadosDistrital, maioria simplesProporcional de lista aberta
Voto obrigatórioNãoSim, dos 18 aos 70 anos
Controle das leis pelos tribunaisNão anulam lei do ParlamentoSTF declara inconstitucionalidade

O voto distrital britânico é o exemplo clássico do sistema majoritário, com seus efeitos sobre partidos pequenos. A comparação está em voto distrital.

No modelo do Delegado Eleitoral

Dois pontos se tocam. O plano adota a lógica de que o mais votado entra, sem quociente nem transferência de votos (item 7.7), como nos distritos britânicos. E dá ao voto dos delegados o efeito que o referendo britânico não tem: o resultado é final, e nem os parlamentares podem revê-lo (item 7.4). Veja quociente eleitoral e Delegado Eleitoral.