Na Coreia do Sul, as leis são votadas por uma casa única, a Assembleia Nacional, com 300 deputados, e o presidente pode vetá-las. O traço mais distintivo é o mandato único: o presidente governa cinco anos e não pode ser reeleito. Em 2025, o país mostrou o outro freio, quando o Tribunal Constitucional confirmou o impeachment de um presidente.

Ficha rápida

CampoCoreia do Sul
Forma de governo e de EstadoRepública democrática presidencialista (art. 1), Estado unitário
LegislativoUnicameral: Assembleia Nacional, 300 deputados (a Constituição exige no mínimo 200, art. 41)
Como os parlamentares são eleitosMisto: 254 em distritos de uma cadeira, pelo mais votado, e 46 por lista proporcional (2024); mandato de 4 anos (art. 42)
Quem propõe as leisDeputados e o Executivo (art. 52)
Palavra final (veto, sanção, revisão judicial)Presidente pode devolver o projeto; a Assembleia derruba o veto com dois terços dos presentes e quórum de maioria (art. 53); Tribunal Constitucional julga leis e impeachment (art. 111)
Democracia diretaReferendo obrigatório para emenda constitucional (art. 130) e facultativo, a critério do presidente, sobre política externa, defesa e unificação (art. 72); seis referendos entre 1962 e 1987
Voto obrigatórioNão
Reeleição do chefe de governoProibida: mandato único de 5 anos (art. 70)
Parlamentares por milhão de habitantes5,8 (300 para 51,7 milhões, Banco Mundial, 2025)

As regras estão na Constituição de 1987. Na eleição de 10 de abril de 2024, o comparecimento foi de 67%, e o Partido Democrata conquistou 169 das 300 cadeiras, fazendo maioria contra o governo da época (resultado da eleição de 2024).

Como uma lei é aprovada

  1. Proposta. Um grupo de deputados ou o governo apresenta o projeto (art. 52).
  2. Comissão. A comissão temática examina e vota o texto.
  3. Plenário. A Assembleia aprova por maioria dos presentes, com quórum de maioria dos membros.
  4. Sanção ou veto. O presidente promulga em até 15 dias ou devolve o projeto com objeções. A Assembleia pode mantê-lo com dois terços dos presentes, e então ele vira lei (art. 53).
  5. Controle. O Tribunal Constitucional, com nove juízes, pode declarar a lei inconstitucional (art. 111).

Quando o presidente não tem maioria, como entre 2024 e 2025, o veto vira o principal instrumento do Executivo contra a Assembleia, porque derrubá-lo exige dois terços.

Participação direta do eleitor

A Coreia do Sul fez seis referendos nacionais entre 1962 e 1987. O último, em 28 de outubro de 1987, aprovou com 94,5% dos votos a Constituição atual, que restabeleceu a eleição direta do presidente (referendo de 1987). Desde então, nenhum referendo nacional foi convocado.

O eleitor sul-coreano participa sobretudo pela pressão sobre o impeachment. Depois da declaração de lei marcial de 3 de dezembro de 2024, a Assembleia aprovou o impeachment de Yoon Suk Yeol em 14 de dezembro, por 204 votos a 85, e o Tribunal Constitucional confirmou a destituição por unanimidade em 4 de abril de 2025. Lee Jae-myung venceu a eleição antecipada de 3 de junho de 2025 (impeachment de Yoon Suk Yeol). O rito brasileiro, em que o Senado julga, está em impeachment.

Comparado ao Brasil

ItemCoreia do SulBrasil
Casas1 (Assembleia Nacional)2 (Câmara e Senado)
Parlamentares federais300594
Por milhão de habitantes5,82,8
Mandato do presidente5 anos, sem reeleição4 anos, uma reeleição
Quem julga o impeachmentTribunal ConstitucionalSenado
Voto obrigatórioNãoSim, dos 18 aos 70 anos

A Coreia funciona com uma só casa num país de 51 milhões de habitantes, o que alimenta o debate sobre a extinção do Senado no Brasil. A comparação de mandatos está em fim da reeleição.

No modelo do Delegado Eleitoral

O mandato único sul-coreano vai na mesma direção do item 7.6 do plano, que propõe oito anos sem reeleição para todos os cargos eletivos. A diferença está no julgamento político: na Coreia ele termina num tribunal de nove juízes, e no plano o impeachment do presidente é decidido pelo voto dos delegados (item 7.5 do Delegado Eleitoral).