No Japão, as leis são feitas pela Dieta, com duas casas: a Câmara dos Representantes, com 465 deputados, e a Câmara dos Conselheiros, com 248. A casa baixa manda mais: se a alta rejeita um projeto, a baixa o aprova de novo com dois terços e ele vira lei. O referendo existe só para emendar a Constituição e nunca foi usado desde 1947.

Ficha rápida

CampoJapão
Forma de governo e de EstadoMonarquia constitucional parlamentarista; o imperador é símbolo do Estado (art. 1), Estado unitário
LegislativoBicameral: Câmara dos Representantes (465) e Câmara dos Conselheiros (248)
Como os parlamentares são eleitosRepresentantes: misto paralelo, 289 em distritos e 176 por lista proporcional, até 4 anos (art. 45). Conselheiros: 148 por circunscrição e 100 por lista, 6 anos com metade renovada a cada 3 (art. 46)
Quem propõe as leisGabinete e parlamentares
Palavra final (veto, sanção, revisão judicial)Câmara baixa supera a rejeição da alta com dois terços dos presentes (art. 59); sem veto do imperador; Suprema Corte julga a constitucionalidade (art. 81)
Democracia diretaReferendo obrigatório para emenda constitucional (art. 96), nunca realizado; referendos locais
Voto obrigatórioNão
Reeleição do chefe de governoPrimeiro-ministro escolhido pela Dieta (art. 67), sem limite de mandatos
Parlamentares por milhão de habitantes5,8 (713 para 123,4 milhões, Banco Mundial, 2025)

As regras estão na Constituição de 1946, em vigor desde 1947. Na eleição antecipada de 8 de fevereiro de 2026, o Partido Liberal Democrata ganhou 316 das 465 cadeiras, dois terços sozinho, e a coalizão com o Ishin somou 352 (eleição geral de 2026). A primeira-ministra é Sanae Takaichi, no cargo desde 21 de outubro de 2025.

Como uma lei é aprovada

  1. Proposta. O gabinete ou um grupo de parlamentares apresenta o projeto em uma das casas.
  2. Comissão e plenário. A comissão permanente da área examina, e o plenário vota.
  3. Segunda casa. A outra casa examina e vota. Se as duas aprovam o mesmo texto, ele vira lei (art. 59).
  4. Desempate. Se a Câmara dos Conselheiros rejeita ou emenda o projeto, a Câmara dos Representantes pode aprová-lo de novo com dois terços dos presentes. Se a casa alta não decidir em 60 dias, a baixa pode tratar o silêncio como rejeição. Pode-se também convocar uma comissão conjunta.
  5. Promulgação. O imperador promulga, como ato formal, com o conselho e a aprovação do gabinete. Não há veto.
  6. Controle. A Suprema Corte é a última instância para decidir se uma lei respeita a Constituição (art. 81).

O gabinete depende da confiança da casa baixa, e o primeiro-ministro pode dissolvê-la e convocar eleição antes do prazo, como fez Takaichi em 2026. A fusão entre governo e maioria é explicada em separação dos poderes.

Participação direta do eleitor

A Constituição exige que toda emenda seja aprovada por dois terços de cada casa e depois ratificada pela maioria dos votos num referendo (art. 96). Nenhuma emenda chegou a essa etapa, e a Constituição japonesa nunca foi alterada: é o texto constitucional mais antigo do mundo sem nenhuma emenda.

Os referendos acontecem no nível local e, em geral, não obrigam o governo nacional. Em 24 de fevereiro de 2019, Okinawa votou sobre o aterro em Henoko para uma nova base militar dos EUA: 72,15% se opuseram, com comparecimento de 52,48%, e a obra continuou porque o resultado não vinculava Tóquio (referendo de Okinawa). Em Osaka, o plano de extinguir a cidade e criar distritos especiais foi rejeitado em 2015, por 0,76 ponto, e de novo em novembro de 2020, por 50,6% a 49,4%.

Comparado ao Brasil

ItemJapãoBrasil
Casas2, com a baixa prevalecendo2, com poderes equivalentes
Parlamentares federais713594
Por milhão de habitantes5,82,8
Sistema da câmara baixaMisto paralelo, distrito e listaProporcional de lista aberta
Voto obrigatórioNãoSim, dos 18 aos 70 anos
Consulta popular nacionalSó para emenda constitucional, nunca realizadaSó por decisão do Congresso; duas desde 1988

No Brasil, um projeto aprovado na Câmara e alterado no Senado volta à Câmara, mas um projeto rejeitado pelo Senado é arquivado. No Japão, a casa alta atrasa, mas não barra uma maioria de dois terços. O papel da segunda casa é o tema de extinção do Senado.

No modelo do Delegado Eleitoral

O Japão tem uma casa alta que pode ser superada; o plano vai além e extingue o Senado, substituindo a revisão pela votação direta dos delegados (item 7.1). E onde o Japão pede o voto do povo só para a Constituição, e nunca o pediu de fato, o plano faz dos delegados a última palavra sobre as leis, sem revisão do parlamento ou dos tribunais (item 7.4 do Delegado Eleitoral).