Na Turquia, as leis são votadas por uma única casa, a Grande Assembleia Nacional, com 600 deputados. Desde o referendo de 2017, porém, o presidente acumula a chefia de Estado e de governo e edita decretos sobre matéria executiva. No papel, há eleições disputadas e corte constitucional; na prática, a Freedom House classifica o país como "não livre".

Ficha rápida

CampoTurquia
Forma de governo e de EstadoRepública presidencialista, Estado unitário (arts. 1 a 3)
LegislativoUnicameral: Grande Assembleia Nacional, 600 deputados (art. 75)
Como os parlamentares são eleitosProporcional de lista, método D'Hondt, 87 distritos, cláusula nacional de 7% desde 2022; mandato de 5 anos, com eleição no mesmo dia da presidencial (art. 77)
Quem propõe as leisOs deputados (art. 88)
Palavra final (veto, sanção, revisão judicial)Presidente promulga ou devolve; a Assembleia supera por maioria absoluta (art. 89). Tribunal Constitucional controla leis e decretos presidenciais (art. 148)
Democracia diretaReferendo para emendas constitucionais; sete referendos nacionais desde 1961
Voto obrigatórioSim, com previsão de multa (aplicação contestada)
Reeleição do chefe de governoDois mandatos de 5 anos, com exceção em caso de eleição antecipada pelo parlamento (arts. 101 e 116)
Parlamentares por milhão de habitantes7,0 (600 para 85,9 milhões, Banco Mundial, 2025)

A barreira caiu de 10% para 7% numa mudança da lei eleitoral aprovada em março de 2022 (Hürriyet Daily News).

Como uma lei é aprovada

  1. Proposta. Só os deputados apresentam projetos de lei (Constituição, art. 88). Com a reforma de 2017, o Executivo deixou de ter iniciativa formal de lei.
  2. Comissão e plenário. O projeto passa pela comissão temática e é votado no plenário da Assembleia, a única casa.
  3. Presidente. Ele tem 15 dias para promulgar ou devolver a lei para reexame. Se a Assembleia a aprovar de novo sem mudanças, por maioria absoluta do total de membros, ele é obrigado a promulgar (art. 89).
  4. Controle. O Tribunal Constitucional examina leis e decretos presidenciais na forma e no conteúdo; emendas constitucionais, só na forma (art. 148).

Ao lado das leis, o presidente edita decretos sobre matéria executiva (art. 104). Eles não podem regular direitos fundamentais nem matéria reservada à lei, e a lei prevalece em caso de conflito. É um instrumento parecido, em função, com a medida provisória brasileira, com a diferença de que não pode tratar de matéria reservada à lei.

Regra escrita e prática

A Freedom House, no relatório de 2026, dá ao país 32 de 100 pontos e o status de "não livre". O partido de Recep Tayyip Erdoğan, o AKP, governa desde 2002; Erdoğan foi primeiro-ministro de 2003 a 2014 e é presidente desde então. O relatório registra a prisão de opositores, jornalistas e membros da sociedade civil, e cita o caso do prefeito de Istambul, Ekrem İmamoğlu, preso em março de 2025 pouco antes de ser oficializado candidato do principal partido de oposição à presidência.

Participação direta do eleitor

A Turquia usa referendo sobretudo para mudar a Constituição. Foram sete votações nacionais desde 1961 (EurasiaNet):

  • 2007: eleição direta do presidente, aprovada com 68,95%.
  • 2010: pacote de 26 emendas, aprovado com 57,9%.
  • 2017: troca do parlamentarismo pelo presidencialismo, aprovada com 51,4% e comparecimento de 85,4%.

Nos três casos o eleitor confirmou reformas aprovadas antes pela maioria parlamentar. A consulta funcionou como ratificação, não como iniciativa do eleitor. A diferença entre os dois usos está explicada em democracia semidireta.

Comparado ao Brasil

ItemTurquiaBrasil
Casas12
Parlamentares federais600594
Por milhão de habitantes7,02,8
Voto obrigatórioSim, com multa previstaSim, dos 18 aos 70 anos
Decreto do ExecutivoDecreto presidencial, só sobre matéria executivaMedida provisória, perde efeito se não votada em até 120 dias
Reeleição do presidenteDois mandatos de 5 anos, com exceçãoUma reeleição, mandatos de 4 anos

Como o Brasil, a Turquia tem voto obrigatório previsto em lei, mas o IDEA registra dúvidas sobre a aplicação da multa.

No modelo do Delegado Eleitoral

O plano trata a ausência do eleitor de outro jeito: quem deixa de votar num bloco não sofre multa nem sanção, e só perde o título de delegado após três faltas seguidas (item 5.5). E propõe mandato único de 8 anos, sem reeleição e sem exceção (item 7.6), o oposto da regra turca que abre uma terceira candidatura. Veja fim da reeleição e a proposta em Delegado Eleitoral.