Estas 20 questões tratam de como o Judiciário é organizado e do que ele pode ou não fazer. Caem a composição e a escolha dos ministros do STF, a diferença entre STF, STJ e TSE, as garantias dos juízes, o CNJ, quem pode propor ação de inconstitucionalidade e qual ramo da Justiça procurar em casos do dia a dia, como uma ação contra o INSS. A página sobre separação dos poderes explica os tribunais, e a de judicialização da política mostra quando o STF decide temas que caberiam ao Congresso.

Questões de conceito

1 Qual tribunal tem a guarda da Constituição e julga se uma lei federal é inconstitucional?

  1. O Superior Tribunal de Justiça
  2. O Supremo Tribunal Federal
  3. O Tribunal de Contas da União
  4. O Tribunal Superior Eleitoral
Ver resposta

Resposta: B. O Supremo Tribunal Federal

Cabe ao STF, precipuamente, a guarda da Constituição, inclusive julgar a ação direta de inconstitucionalidade de lei federal ou estadual (Constituição, art. 102, I, a). O STJ e o TSE são tribunais superiores com outras funções, e o TCU nem faz parte do Judiciário.

Entenda melhor: Separação dos poderes no Brasil: o que cada um faz

2 Qual é a função principal do Poder Judiciário?

  1. Fazer as leis
  2. Administrar o governo e executar obras
  3. Julgar conflitos, aplicando a lei aos casos concretos
  4. Fiscalizar as contas dos governos, como faz o Tribunal de Contas
Ver resposta

Resposta: C. Julgar conflitos, aplicando a lei aos casos concretos

Os três Poderes são independentes e harmônicos: o Legislativo faz as leis, o Executivo administra e o Judiciário julga, aplicando a lei aos casos concretos (Constituição, art. 2º). Os tribunais de contas auxiliam o Legislativo na fiscalização das contas públicas (art. 71) e não fazem parte do Judiciário.

Entenda melhor: Separação dos poderes no Brasil: o que cada um faz

3 Quantos ministros compõem o Supremo Tribunal Federal?

  1. Nove
  2. Onze
  3. Quinze
  4. Trinta e três
Ver resposta

Resposta: B. Onze

O STF é composto de onze ministros, escolhidos entre cidadãos com mais de 35 e menos de 70 anos, de notável saber jurídico e reputação ilibada (Constituição, art. 101). Trinta e três é o número mínimo de ministros do Superior Tribunal de Justiça (art. 104), confusão comum entre os dois tribunais. Com onze integrantes, seis votos formam a maioria do plenário e bastam para decidir as questões que dividem a corte.

Entenda melhor: Judicialização da política: quando o STF decide no lugar do Congresso

4 Qual é o caminho para alguém se tornar ministro do STF?

  1. Ser eleito pelos juízes de todo o país
  2. Passar em concurso público de provas e títulos
  3. Ser escolhido pelo próprio STF numa lista tríplice
  4. Ser indicado pelo presidente e aprovado pela maioria absoluta do Senado
Ver resposta

Resposta: D. Ser indicado pelo presidente e aprovado pela maioria absoluta do Senado

Os ministros do STF são nomeados pelo presidente da República depois de aprovada a escolha pela maioria absoluta do Senado, ou seja, ao menos 41 dos 81 senadores (Constituição, art. 101, parágrafo único). Antes da votação, o indicado passa por sabatina. O concurso público é o caminho de entrada do juiz de primeira instância (art. 93, I), não do STF, e a lista tríplice é usada em outros tribunais, como o STJ, não no Supremo.

Entenda melhor: Separação dos poderes no Brasil: o que cada um faz

5 Qual é a principal função do Superior Tribunal de Justiça (STJ)?

  1. Uniformizar a interpretação das leis federais em todo o país
  2. Guardar a Constituição e julgar ações de inconstitucionalidade
  3. Organizar as eleições e julgar o registro de candidatos
  4. Julgar as contas anuais do presidente da República
Ver resposta

Resposta: A. Uniformizar a interpretação das leis federais em todo o país

O STJ dá a última palavra sobre a interpretação da lei federal, julgando em recurso especial decisões que contrariam a lei ou lhe dão interpretação diferente da de outro tribunal (Constituição, art. 105, III). Guardar a Constituição é tarefa do STF (art. 102), por isso a confusão é frequente. As eleições ficam com a Justiça Eleitoral, comandada pelo TSE, e as contas do presidente são julgadas pelo Congresso (art. 49, IX).

Entenda melhor: Separação dos poderes no Brasil: o que cada um faz

6 Qual tribunal está no topo da Justiça Eleitoral?

  1. O Supremo Tribunal Federal
  2. O Superior Tribunal de Justiça
  3. O Tribunal Superior Eleitoral
  4. O Tribunal Regional Eleitoral do Distrito Federal
Ver resposta

Resposta: C. O Tribunal Superior Eleitoral

A Justiça Eleitoral é formada pelo Tribunal Superior Eleitoral, pelos tribunais regionais eleitorais, pelos juízes eleitorais e pelas juntas eleitorais (Constituição, art. 118). O TSE tem no mínimo sete membros: três ministros do STF, dois do STJ e dois advogados nomeados pelo presidente (art. 119). O STF é tentador porque três de seus ministros integram o TSE e um deles o preside, mas o Supremo não faz parte da Justiça Eleitoral.

Entenda melhor: Separação dos poderes no Brasil: o que cada um faz

7 Quais garantias a Constituição dá aos juízes para que julguem com independência?

  1. Foro especial, imunidade parlamentar e estabilidade
  2. Vitaliciedade, inamovibilidade e irredutibilidade do salário
  3. Mandato fixo de oito anos, reeleição e aposentadoria especial
  4. Escolha da própria comarca, salário livre e nomeação política
Ver resposta

Resposta: B. Vitaliciedade, inamovibilidade e irredutibilidade do salário

Os juízes têm vitaliciedade (depois de adquirida, só perdem o cargo por sentença judicial definitiva), inamovibilidade (não podem ser removidos contra a vontade, salvo por interesse público decidido pelo tribunal) e irredutibilidade de subsídio (Constituição, art. 95). Elas protegem o juiz de pressões de governantes e de partes poderosas. Imunidade parlamentar é garantia de deputados e senadores, e juiz não tem mandato fixo nem é reeleito.

Entenda melhor: Separação dos poderes no Brasil: o que cada um faz

8 Como alguém entra na carreira de juiz de primeira instância?

  1. Por eleição popular na comarca
  2. Por indicação do governador do estado
  3. Por nomeação do presidente do tribunal, sem seleção
  4. Por concurso público de provas e títulos
Ver resposta

Resposta: D. Por concurso público de provas e títulos

O ingresso na magistratura, no cargo inicial de juiz substituto, se faz por concurso público de provas e títulos, com participação da OAB em todas as fases e exigência de três anos de atividade jurídica (Constituição, art. 93, I). No Brasil juiz não é eleito, ao contrário do que ocorre em alguns estados dos Estados Unidos. A indicação política aparece só na composição de parte dos tribunais, como o STF, nunca na entrada da carreira.

Entenda melhor: Separação dos poderes no Brasil: o que cada um faz

9 Qual órgão faz o controle administrativo e financeiro do Judiciário e recebe reclamações contra juízes?

  1. O Conselho Nacional de Justiça
  2. O Tribunal de Contas da União
  3. O Ministério da Justiça
  4. A Ordem dos Advogados do Brasil
Ver resposta

Resposta: A. O Conselho Nacional de Justiça

O Conselho Nacional de Justiça controla a atuação administrativa e financeira do Judiciário e o cumprimento dos deveres funcionais dos juízes, e recebe reclamações contra membros ou órgãos do Judiciário (Constituição, art. 103-B, § 4º). É presidido pelo presidente do STF. O Ministério da Justiça é tentador pelo nome, mas é órgão do Executivo e não pode fiscalizar juízes, o que feriria a separação dos poderes.

Entenda melhor: Separação dos poderes no Brasil: o que cada um faz

10 Qual destes não pode propor uma ação direta de inconstitucionalidade no STF?

  1. O presidente da República
  2. O procurador-geral da República
  3. Um cidadão comum, em nome próprio
  4. Um partido político com representação no Congresso
Ver resposta

Resposta: C. Um cidadão comum, em nome próprio

A lista de quem pode propor ação direta de inconstitucionalidade é fechada: inclui o presidente da República, as Mesas do Senado e da Câmara, governadores, o procurador-geral da República, a OAB, partidos com representação no Congresso e confederações sindicais (Constituição, art. 103). O cidadão comum não está nela. Ele pode questionar uma lei num processo próprio, perante o juiz do caso, ou pedir a um desses legitimados que leve a questão ao STF.

Entenda melhor: Judicialização da política: quando o STF decide no lugar do Congresso

Questões de aplicação

1 O Congresso aprovou uma lei que, para um partido com deputados no Congresso, fere a Constituição. O que esse partido pode fazer?

  1. Propor uma ação no STF pedindo que a lei seja declarada inconstitucional
  2. Vetar a lei, já que tem bancada no Congresso
  3. Revogar a lei por decisão da direção do partido
  4. Pedir ao presidente da República que anule a lei por decreto
Ver resposta

Resposta: A. Propor uma ação no STF pedindo que a lei seja declarada inconstitucional

Partido político com representação no Congresso pode propor ação direta de inconstitucionalidade, julgada pelo STF (Constituição, arts. 102, I, a, e 103, VIII). Veto é ato do presidente e só existe antes de a lei entrar em vigor, e decreto não anula lei. Lei aprovada só sai do mundo jurídico por outra lei ou por decisão judicial.

Entenda melhor: Separação dos poderes no Brasil: o que cada um faz

2 O presidente da República quer demitir um ministro do STF que votou contra o governo. Ele pode?

  1. Sim, porque foi ele quem indicou o ministro
  2. Sim, se o ministro da Justiça concordar
  3. Sim, com a aprovação da Câmara dos Deputados
  4. Não, ministro do STF é vitalício e não pode ser demitido pelo presidente
Ver resposta

Resposta: D. Não, ministro do STF é vitalício e não pode ser demitido pelo presidente

Os juízes, inclusive os ministros do STF, têm vitaliciedade e não podem ser afastados por quem os nomeou (Constituição, art. 95, I). É uma garantia da independência do Judiciário (art. 2º). Um ministro do STF só perde o cargo por decisão judicial definitiva ou, em crime de responsabilidade, por julgamento do Senado (art. 52, II).

Entenda melhor: Separação dos poderes no Brasil: o que cada um faz

3 Um aposentado teve um benefício negado pelo INSS e quer entrar com uma ação para recebê-lo. Em regra, qual ramo da Justiça julga o caso?

  1. A Justiça do Trabalho
  2. A Justiça Federal
  3. A Justiça estadual comum
  4. O Supremo Tribunal Federal
Ver resposta

Resposta: B. A Justiça Federal

Aos juízes federais compete julgar as causas em que a União, suas autarquias ou empresas públicas federais forem parte (Constituição, art. 109, I), e o INSS é uma autarquia federal. As causas de acidente de trabalho são exceção e ficam com a Justiça estadual. A Justiça do Trabalho é tentadora, mas ela julga relações de trabalho, e o benefício é previdenciário. Onde não há vara federal, a lei pode permitir que o juiz estadual julgue a causa (art. 109, § 3º). O STF não é a porta de entrada desses processos.

Entenda melhor: Separação dos poderes no Brasil: o que cada um faz

4 Uma consumidora quer processar uma loja que não entregou um celular de R$ 2.000 e prefere não contratar advogado. Qual é o caminho mais simples?

  1. Entrar com ação diretamente no Superior Tribunal de Justiça
  2. Registrar queixa no Procon, que julga e condena a loja a indenizar
  3. Pedir ao vereador do bairro que abra um processo
  4. Entrar com ação no Juizado Especial Cível, onde causas de até 20 salários mínimos dispensam advogado
Ver resposta

Resposta: D. Entrar com ação no Juizado Especial Cível, onde causas de até 20 salários mínimos dispensam advogado

Os Juizados Especiais Cíveis julgam causas de menor complexidade, de até 40 salários mínimos, e nas de até 20 salários mínimos a pessoa pode entrar sem advogado (Lei 9.099/1995, arts. 3º e 9º). A Constituição prevê esses juizados para dar acesso rápido à Justiça (art. 98, I). O Procon é tentador e ajuda com reclamações e multas administrativas, mas não faz parte do Judiciário e não condena a loja a indenizar.

Entenda melhor: Separação dos poderes no Brasil: o que cada um faz

5 Um morador está sendo despejado e não tem como pagar advogado para se defender na Justiça. A quem ele pode recorrer?

  1. À Defensoria Pública
  2. Ao Ministério Público, que passa a atuar como seu advogado
  3. Ao próprio juiz, que faz também a defesa dele
  4. Ao Tribunal de Contas do Estado
Ver resposta

Resposta: A. À Defensoria Pública

A Defensoria Pública presta orientação jurídica e faz a defesa, em todas as instâncias e de forma gratuita, de quem não tem recursos (Constituição, art. 134). A Constituição garante assistência jurídica integral e gratuita aos que comprovarem insuficiência de recursos (art. 5º, LXXIV). O Ministério Público é a resposta tentadora, mas ele defende o interesse público e a ordem jurídica, não atua como advogado particular. O juiz, por sua vez, precisa ser imparcial.

Entenda melhor: Separação dos poderes no Brasil: o que cada um faz

6 Um juiz estadual quer disputar a eleição para prefeito e começa a participar de reuniões e atos de campanha de um partido. O que diz a Constituição?

  1. Ele pode fazer campanha, desde que fora do horário de expediente
  2. Ele pode se filiar ao partido e continuar julgando até a posse
  3. Juiz não pode exercer atividade político-partidária; para concorrer, terá de deixar a magistratura
  4. Ele precisa apenas de autorização do presidente do Tribunal de Justiça
Ver resposta

Resposta: C. Juiz não pode exercer atividade político-partidária; para concorrer, terá de deixar a magistratura

É vedado ao juiz dedicar-se a atividade político-partidária (Constituição, art. 95, parágrafo único, III). E a filiação partidária é condição para disputar eleição (art. 14, § 3º, V), algo incompatível com a magistratura em atividade. Por isso o juiz que quer ser candidato precisa deixar o cargo antes. A regra protege a imparcialidade: quem julga eleitores, candidatos e governos não pode fazer campanha para um dos lados.

Entenda melhor: Separação dos poderes no Brasil: o que cada um faz

7 O governador discorda de uma decisão de um juiz estadual sobre a desapropriação de um terreno e quer transferi-lo para uma comarca no interior. O que acontece?

  1. O governador pode transferir o juiz, porque o estado paga o salário dele
  2. O governador não pode: o juiz é inamovível, e só o tribunal decide remoção por interesse público
  3. A Assembleia Legislativa decide a transferência por maioria absoluta
  4. O juiz é transferido se o secretário de Justiça concordar
Ver resposta

Resposta: B. O governador não pode: o juiz é inamovível, e só o tribunal decide remoção por interesse público

Os juízes têm inamovibilidade: não podem ser removidos contra a vontade, salvo por motivo de interesse público (Constituição, art. 95, II). E essa remoção depende do voto da maioria absoluta do próprio tribunal ou do Conselho Nacional de Justiça (art. 93, VIII), nunca do governador. A ideia de que quem paga manda é o erro: os tribunais têm autonomia administrativa e financeira e elaboram a própria proposta de orçamento (art. 99).

Entenda melhor: Separação dos poderes no Brasil: o que cada um faz

8 Um juiz lê no jornal que uma fábrica poluiu o rio da cidade e quer abrir, por conta própria, um processo para condená-la. O que diz a regra?

  1. O juiz não pode iniciar o processo sem ser provocado; o Ministério Público, por exemplo, pode propor a ação
  2. O juiz pode abrir o processo, porque tem o dever de defender o meio ambiente
  3. O juiz pode condenar a fábrica assim que a notícia for confirmada
  4. O juiz precisa de autorização do prefeito para abrir o processo
Ver resposta

Resposta: A. O juiz não pode iniciar o processo sem ser provocado; o Ministério Público, por exemplo, pode propor a ação

O processo começa por iniciativa da parte, e o juiz não o abre por conta própria (Código de Processo Civil, art. 2º). Essa inércia protege a imparcialidade: quem acusa não pode ser quem julga. No caso, o Ministério Público pode propor ação civil pública para proteger o meio ambiente (Constituição, art. 129, III), assim como associações e outros legitimados. A boa intenção de defender o rio não muda a regra.

Entenda melhor: Separação dos poderes no Brasil: o que cada um faz

9 O STF declarou inconstitucional uma lei aprovada pelo Congresso. Os parlamentares discordam da decisão. Qual caminho a Constituição lhes oferece?

  1. Anular a decisão do STF por decreto legislativo
  2. Destituir os ministros que votaram contra, por maioria absoluta
  3. Aprovar uma emenda à Constituição sobre o tema, que também poderá ser questionada no STF
  4. Pedir ao presidente da República que suspenda a decisão
Ver resposta

Resposta: C. Aprovar uma emenda à Constituição sobre o tema, que também poderá ser questionada no STF

A decisão do STF em ação de inconstitucionalidade vincula os demais órgãos do Judiciário e a administração pública (Constituição, art. 102, § 2º) e não pode ser anulada por ato do Congresso ou do presidente. O caminho do Legislativo é mudar a própria norma, por exemplo com uma emenda constitucional aprovada por três quintos em dois turnos (art. 60), respeitando as cláusulas pétreas. A nova regra também pode ser levada ao STF.

Entenda melhor: Judicialização da política: quando o STF decide no lugar do Congresso

10 O indicado do presidente para uma vaga no STF recebeu 39 votos favoráveis e 30 contrários no plenário do Senado. Ele pode ser nomeado?

  1. Sim, porque teve mais votos a favor do que contra
  2. Sim, porque a nomeação depende só do presidente
  3. Não, porque precisava de dois terços, 54 votos
  4. Não, porque precisava da maioria absoluta do Senado, 41 votos
Ver resposta

Resposta: D. Não, porque precisava da maioria absoluta do Senado, 41 votos

A nomeação de ministro do STF exige que a escolha seja aprovada pela maioria absoluta do Senado (Constituição, art. 101, parágrafo único), isto é, 41 dos 81 senadores, contados sobre o total de membros e não sobre os presentes. Com 39 votos sim, a indicação é rejeitada, mesmo vencendo os votos contrários. Dois terços, 54 votos, é o quórum para condenar no impeachment. O presidente terá de indicar outro nome.

Entenda melhor: Separação dos poderes no Brasil: o que cada um faz

Continue treinando

Fazer o simulado Todos os assuntos de Poderes e quóruns